Entrelaço o olhar das minhas esferas flutuantes com os ossos frios das largas mãos e não entendo, não vejo rezão de ser no que ambas fazem e que na falta de fazer está. Dedilhando um simples lápis de grafite envolto num fino casaco de madeira que se desgasta lentamente como eu, mas com um uso mais apropriado a utilidade de algo ou alguém com propósitos maiores, vencido estou como se me escalassem o sorriso e estragos nele deixassem, as pálpebras outrora esvoaçantes , não passam de cortinas fechadas, fui me embora, dizem elas, que batam a outra porta, o desejam , velho carrancudo me sinto, e nem velho sou ainda, mas se a idade se desgasta a mente também, sinto me um trapo velho, daqueles; daqueles que se atiram a um canto quando já nem a falta o faz.
Abro a cortina, paro, olho, e continuo parado, vejo sem olhar e nada de novo é, em cada andante de tuas patas, só vejo a ignorância e na ausência dela é preenchida por pura tristeza, como a minha talvez.
Doce ignorância por onde as pegadas te seguem?
Doce sabor da inexistência alegre, doce aroma da felicidade de conquistas fáceis e a satisfação delas.
Como disse, já estou velho, muito velho e a fonte da juventude albergou se no fundo da ignorância e por mais que me tente esticar, os ossos frios acabam por ranger, estico me ao comprido e assim me desalinho no chão dos meus tapetes, no meu quarto, nos meus lençóis, vou cultivar uns sonhos que deles sinto falta e quem sabe se por la encontro o que aqui não sei procurar.
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