Erva verde, tu que creches na terra onde te plantar e que nada mais viste do mundo se não o horizonte ao teu redor, diz me porque tão triste essas tuas folhas cor de outono?
Tu que invejas o vento por livre ser ao acariciar as encostas do vale que ainda avistas, diz me porque tão imóvel esse olhar?
Tu que gente não és, mas ser, sempre serás a sentir mais gotas de um orvalho do que qualquer outra gente que apenas lágrimas avista quando um tom cinzento se acomoda no imenso azul.
Tu és gente como outra que nada o é, e no entanto agarras te mais a vida do que qualquer outro ser idêntico a mim. E é nestes dias em que orvalho se cria em torno da minha vista com desculpa que foi o vento que trouxera algo indesejado, invejo te por seres apenas uma erva verde que estendera as suas raízes para onde o teu desejo e a tua imaginação o quis.
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