Quando era um rapaz, miúdo, semente ainda, tinha como por qualidade ter pavor dos bigodes e dos que por traz deles se escondiam, do ser, da compostura descomposta e obrigatoriamente imposta que se transformava e os fazia transformar nos que nunca foram antes e nunca mais seriam como foram.
Bigodes via eu diariamente por todo lado, encontravam me a cada esquina e era um trabalho árduo fugir deles de tanto que a data altura apenas não fugia mais, caminhava apenas lado a lado tentando não os olhar de fronte com medo do que bigodes como tanto que se achavam, em mim achavam que bigodes em falta estavam, e eu corria e fugia por dentro refundindo apenas escondido por onde cabia, mas a parede escura que tapa o sonho do tecto e a noite da parede não foi o que esperara eu, apanharam me a calda e o medo em mim não me permitira ser lagartixa que se largava quando a larga calda o deixava.
Abri as cortinas e em vez de sol brilhante e nuvens brancas num manto azul em torno de um manto castanho e outro verde e as cores as que a minha mente inventava, em vez de tudo isso vi apenas olhos e bigodes e obrigações das quais os obrigava a serem obrigados a serem andantes, mutantes, constantemente constantes. Eu chorava e fugia e tropeçava em bigodes e nas demais teias que os filamentos dos que por trás deles criavam e criavam pensando serem artistas. Fugi enquanto pude mas dos olhos que me viram vi lhes demais e ao lado não pude passar, quando me ataram fios a cara e me prenderam em fios que se prenderam em mim e ficaram presos a face da testa dos lábios e a barba do meu pequeno nariz.
Mas isso foi a muito tempo traz muitas luas e tectos vi eu pois cortinas que eram minhas nunca mais pude fechar, fiquei obrigado a permanecer obrigado a fazer coisas que eles faziam quando era eu miúdo, bigode esse tentei muitas vezes arrancar da cara, cortar-lo e queima lo, para meu desespero ele volta a renascer e a crescer e abundante mente vive em mim, mas criança que sou a semente do que era, permanece em mim, onde me enriquece do que vivi, agora com bigode, mas sou apenas um miúdo com bigode, acho que sempre o serei, não fosse salvador dali um miúdo como eu que bigode tinha e o mantinha sempre no sentido do sorriso e não como os outros monotrombudos do zoológico de todas as grandes cidades, que apenas viviam a sua tromba no sentido da gravidade, e se acordares um dia e tentarem impor uma tromba para substituir o teu bigode apenas mostra lhes o sentido dele como eu o fiz.
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