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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A velha pergunta do pássaro desencontrado.

Num dia como todos os outros, num verão que se perdeu do me calendário, e o relógio omnipresente alertava as 9 horas nocturnas, encontrava me eu desencontrado numa das ruas que cruzavam a cidade como quem cruza todas as outras que não há tanta que se cruzaram. 
   Dei por mim maravilhado numa vista de um dos miradouros construído numa cidade assente sobre sete colinas, prendeu me a vista e a perplexidade de uma paisagem que ninguém repara pois apenas lá existe.
   Acendi um cigarro e enquanto me libertava os olhos e passeava os pés que me sustentam como um mendigo que sustenta um cão que nem a si mesmo se sustenta, caminhava por entre ruas e becos iluminados e calçada sempre presente.
   Quando me libertei do olhar preso que me foi imposto, um desejo que se alojou debaixo da língua e que me penetrou a mente, um cheiro forte, um a café, que me seduziu como sereias em tempos fizeram antes de nos as caçarmos.
    Cessezei o fogo da alma do cigarro que companhia me fizera e entrei num café donde a doce harmonia dos cheiros me conquistava sem me conhecer e amava me saber, um café comum, pouco iluminado e menos frequentado que todos os outros mas nem tanto imperfeito.
  Cheguei me a frente onde o desejo me puxara como quem cordas me amarrara e no caminho os olhos  que atentamente presentes me sinalizara de algo invulgar num café, um piano que ensurdeceu com as conversas de onde apenas se falava da bola e do bate boca do dia que nunca mais acaba e dois dias que nunca mais se diferenciam dos demais, cheguei ao balcão como todos os outros que o desejo presente se sente e pedi a minha bica, não me perguntem o motivo mas vi simpatia no bigode do homem de cabelos cinzentos que me atendeu, numa pergunta indiscreta, interroguei-o se possível era dar uma conversa ao piano que la presente estava, sem motivos para discórdia o homem do café me acenara com a cabeça em sinal que sim.
   Bebi a bica, que maravilhosa estava como musa que me amava em tempos diversos, atravessei a sala por entre mesas e cadeiras que la a falta fazia nelas, sentei me junto ao piano toquei as telas como se apertasse a mão de um velho amigo que o tempo afastara, suspirei, comecei a dedilhar as teclas e numa paz de espírito presente e ausentei me numa peça de Michael Nyman em que o piano gentilmente me chorava.
 De repente como quem não fazia prever e longe de onde o meu espírito voava, um homem idoso que pela sua presença não dera na mesa ao meu lado se encontrava, olhei para ele e reparei que amor fazia com o seu gin tónico acompanhado por um ou outro copo de whisky, ele olhou para mim e ofereceu me um copo para me acompanhar nessa noite que se fazia fria, agradeci lhe a simpatia pois percebera que não era os copos que convivência lhe faziam mas sim a ausência dela fazia os copos. Sentei me ao sei lado e numa ou outra conversa fui indiscreto perguntando lhe do motivo pelo qual se encostava tanto as suas companheiras de estado líquido, ele não hesitou dizendo que sabia que isso o estava a matá-lo, com um sorriso na cara mais presente do que eu ou o piano ou o próprio café que la se encontrava nessa rua cruzada, não é fácil respondeu me ele, caminhou na guerra e perdeu o cominho dos pés que desgovernados se encontravam por um ou outro bar, os meus amigos e companheiros murcharam na guerra quando a foice lhes ceifou a vida, diante dos meus olhos disse ele, a minha mulher morreu  a poucos anos atrás, agora diz me tu jovem tu que fiel te mantens a todos os teus caminhos e que a morte não te furtou ninguém, enquanto ainda estas vivo por dentro porque te encontras aqui, perdido neste este bar desencontrado de ti mesmo a falar com um velho e com um piano surdo que esquecido esta do ultimo que o tocou, onde está a tua vida a tua chama o teu amor o teu pássaro ardente que falta presente em ti está?
Nessa noite eu calhei me mas juro que  hoje em dia ainda não sei a resposta a perguntas como essas e nem o piano me soube responder, quem sabe onde estás tu pássaro meu quem sabe...

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